Presidentes dos municípios da Moita, Barreiro, Montijo e Alcochete contra encerramento da maternidade do Hospital do Barreiro

Os presidentes dos municípios da Moita, Barreiro Montijo e Alcochete tomaram uma posição conjunta pela defesa da maternidade e dos cuidados de saúde no Centro Hospitalar Barreiro Montijo.

Para os autarcas, o anúncio do governo da intenção de encerramento definitivo das Urgências de Obstetrícia na Unidade Local de Saúde Arco Ribeirinho (ULSAR) constitui-se como uma decisão profundamente prejudicial, com impactos brutais em todos os concelhos da península de Setúbal, representando um retrocesso na prestação de cuidados de saúde materno-infantis”.

Os presidentes consideram que a criação de um “Centro Materno-Infantil”, com epicentro em Almada, constituiu “uma solução enganadora para um problema estrutural que a ação do Governo tem acentuado, agravada pela ausência da garantia de estabilidade nas equipas que – teoricamente – passariam a assegurar as necessárias escalas, bem como pela localização geográfica desta unidade, que gerará desequilíbrios assistências na resposta em casos agudos, fragilizando não só as respostas nos concelhos do Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete, como sobrecarregará a Unidade Local de Saúde de Arrábida/Setúbal, que serve os concelhos de Setúbal, Palmela, Sesimbra e concelhos do Alentejo Litoral”.

“Concentrar problemas não os resolve e, a este propósito, basta recordar as imensas dificuldades sentidas no último ano na prestação de assistência obstétrica urgente em sistema rotativo, para concluir que a solução desenhada é frágil e insustentável”, alertam os autarcas.

A Unidade Local de Saúde Arco Ribeirinho (ULSAR) tem desempenhado “um papel fundamental na resposta às necessidades de saúde materno-infantil da região, sendo a segunda maior maternidade da Península de Setúbal. Em 2022, foram realizados 1.585 partos, número que, apesar das dificuldades, se manteve estável nos últimos anos”.

“O encerramento desta unidade não só sobrecarregará ainda mais o Hospital Garcia de Orta (HGO) e o Hospital de São Bernardo, como deixará milhares de grávidas sem uma resposta de proximidade, quando em situação clínica aguda”, referem ainda os autarcas.

A decisão de encerrar esta maternidade “ignora os desafios existentes na rede hospitalar da região, onde o HGO já enfrenta dificuldades para garantir o funcionamento regular do serviço de obstetrícia, sendo previsível que os períodos de contingência se mantenham ou agravem. Ao invés de fortalecer os serviços, o atual Governo opta por um caminho que fragiliza ainda mais o acesso aos cuidados de saúde”.